
A uns 800 metros rua acima do corre-corre do centro da cidade, subindo pela rua Eduardo Ribeiro, se alcança o Largo São Sebastião, que abriga o imponente Teatro Amazonas. Pisar nesse largo, que abraça o teatro, é um momento mágico para o turista e para certamente para os manauaras mais conscientes daquela riqueza toda. O ruído de agora há pouco dá lugar a uma música clássica que preenche o ar. Literalmente a sensação é de que o tempo passa mais devagar ali.
Ao desviar o olhar para cima, é impossível resistir ao convite para conhecê-lo. Sustentado por um grande muro de pedra Manaus, é possível visitar seu interior guiado por monitores, que desfiam dados espantosos sobre os materiais utilizados na construção e decoração desse prédio. Apenas para se ter uma ideia, no salão de espetáculos, que comporta 701 lugares, colunas de ferro fundido francês sustentam lustres e capitéis coríntios estilizados e 22 máscaras típicas do teatro grego. O salão nobre, que comporta 200 pessoas, é iluminado por 32 lustres de vidro de murano, sustentados por colunas de ferro fundido e gesso policromado, cujas bases são de mármore carrara. Os espelhos têm origem francesa e italiana (Veneza). Doze mil peças de madeira encaixadas (nogueira, carvalho, bordo e mogno) foram o piso do salão. Madeira brasileira, mas tratada e beneficiada na Europa. Vieram da Alsácia as 36 mil peças e escamas em cerâmica esmaltada e telhas vitrificadas que formam a cúpula, nas cores verde, amarelo, azul e marrom, numa alusão à bandeira brasileira e à borracha, que na época da construção do Teatro Amazonas, no final dos anos de 1800 e meados de 1900, movia a economia no Estado. Ainda há milhares de peças originais sobressalentes.
As visitas ao Teatro Amazonas podem ser feitas de segunda a sábado, das 9 às 17 horas, pelo preço de R$ 10,00. Monitores acompanham grupos a cada meia hora para uma visita ao interior do teatro. É permitido fotografar todos os ambientes visitados, desde que não se use o flash.
Se gostar de detalhes, uma das curiosidades do local é o sistema de ‘ar condicionado’ utilizado na época da inauguração do teatro, em 31 de dezembro de 1896. Para driblar o calor, foram instaladas ‘bolachas’ de ferro sob as cadeiras, com pequenas aberturas por onde chegava o ar refrigerado por gelo trazido de Portugal. Tubos de ferro foram colocados estrategicamente sob o salão, que recebiam o gelo. Grandes ventiladores na boca desses tubos tocavam o ar frio para o salão. Uma engenhoca que certamente amenizou muito o calor no local na época. Hoje, enormes aparelhos de ar condicionado fazem a refrigeração de seus ambientes.
Há também dois salões, em lados opostos do teatro: um deles, com vista para a igreja de São Sebastião, era apenas para as mulheres, que podiam orar voltadas para o templo; o outro era para os homens, que ali se reuniam para fumar seus charutos, discutir política e sabe-se lá mais o quê. Mostro numa das fotos acima uma escarradeia, que ficava no salão dos homens. Desse salão, aliás, além da porta intena, sai uma escada que dá acesso à rua, o que lhes permitia entrar e sair sem serem vistos por suas esposas. O salão das mulheres tem apenas uma porta, obviamente na parte interna do teatro.
