Fé que comove






Uma das coisas que mais têm me comovido é a fé do povo amazonense. Visitei algumas comunidades do interior, e lá me parece que as pessoas são ainda mais crentes. Talvez pelas dificuldades que enfrentam, maiores em relação a quem mora em Manaus, por exemplo. Uma das mais marcantes é a locomoção. São poucas as rodovias, geralmente à mercê das chuvas, que podem levar pontes e trechos inteiros de estrada para os igarapés. Uma das consequências é o precário atendimento de saúde e as dificuldades para o próprio estado fornecer o básico que é sua obrigação.
A energia elétrica vem de geradores, dia e noite. A diversão se resume a alguns poucos bares, mistos de lanchonete e restaurante. O trabalho, se não é na área pública, está geralmente ligado aos rios e à mata. Com atividades legais e ilegais. Vai da consciência de cada um. Ou da sua necessidade de sobrevivência.
Cheguei a Novo Airão justamente no dia 30 de junho, dia de São Pedro, protetor dos pescadores. Participei de todas as festividades em honra ao santo e tive um dos dias mais gostosos que passei até agora no Amazonas. Fui à procissão de barcos pelo rio Negro e pelas ruas da cidade, que precederam a uma missa.
Posto cinco fotos, que me marcaram muito. A dessa senhorinha, Maria, que passou todo o tempo da procissão pelo rio tentando manter sua vela acesa, já que não havia levado nada para barrar o vento - queimou a mão calejada, mas não desistiu de sua reverência a São Pedro; a do garoto, que segura firmemente a vela, conforme mandara a mãe; a da imagem, única no barco a receber a luz do sol naquele fim de tarde; a de fieis que carregavam a imagem de volta à igreja, onde é seu lugar e a dos curiosos no porto, à espera da atracação do barco.
Especialmente quando vou para o interior, quando entro em contato com a natureza como ela é, é inevitável pensar em como tudo isso aqui é imenso e ainda insondável. E o quanto a fé é companheira dessa gente, nossos irmãos brasileiros.

A fé e o pobre diabo









Em Manaus há um número expressivo de igrejas, das mais conhecidas às nunca vistas antes. Há até igrejas flutuantes, às margens do rio Negro. Além das centenárias construções católicas, uma delas, a capela de Santo Antonio (ou do pobre diabo), chama a atenção de turistas e reserva espaço especial na fé do manauara. Propriedade particular, a capela é aberta ao público apenas nos dias 13, em homenagem ao dia do santo, em 13 de junho. Foi construída em estilo gótico, a pedido da mulher do comerciante Antonio José da Costa, que mandou colocar uma placa: “Ao pobre diabo”. A capela fica na avenida Borba, ao lado do Hospital Militar, no bairro Cachoeirinha, e é tombada pelo Patrimônio Histórico estadual.
A catedral metropolitana de Nossa Senhora da Conceição fica na região do porto, no centro de Manaus. Sua construção durou 19 anos, a contar da pedra fundamental, em 23 de julho de 1858. A inauguração só aconteceu em 15 de agosto de 1877. Dados oficiais são de que é a primeira grande obra arquitetônica de Manaus. Com sua face voltada para o rio Negro (embora hoje um emaranhado de prédios fique entre os dois), tem duas belas escadarias externas que foram uma lira. Suas linhas arquitetônicas são retas em estilo neoclássico. Tem seis sinos, obviamente vindos da Europa, nesse caso, a França. Fica aberta o dia todo, fechando apenas por umas duas horas após a missa do meio dia. Há outros horários de missa, em vários dias da semana.
Nas fotos, mostro a bela igreja de São José Operário e a de Nossa Senhora de Fátima. Há centenas de igrejas dos mais variados tamanhos. O problema é a visitação de suas áreas internas (e aí falo das católicas), que encontrei todas fechadas. A exceção que vi é a catedral e a de São Sebastião, que falei sobre ela no texto "Igreja e Largo de São Sebastião".