






Domingo foi dia de São Francisco de Assis (4 de outubro), o santo protetor dos animais. Pois bem, aproveitando a data, vou contar um pouco de uma experiência interessante, que une afeto e jornalismo. Em maio de 2002, quando retornei de férias para a Tribuna Impressa, de Araraquara, meus colegas e amigos no trabalho tinham acabado de "recolher para a calçada do jornal" uma gatinha de cor rajada de preto e cinza (ela estava no canteiro central da avenida Bento de Abreu, em frente ao jornal). Apesar dos meus apelos para que alguém a levasse para casa, quando vi - alguns dias depois - ela já tinha sido levada para o quintal do jornal. Num final de tarde, encontrei uma roda de pessoas em torno de algo: adivinha?? A própria gatinha. Como adoro gatos, tentava evitar adotar mais um... por isso queria que alguém a levasse para casa.
Bom, já tinham dado até nome: Bandô (de abandonadinha). Reiterei que a levassem e me virei para voltar à minha sala quando a Bandô simplesmente me seguiu, feito um cãozinho. Bom, quem me conhece já sabe da história.
Claro que o diretor do jornal não queria, mas abriu uma exceção. O AC realmente é meu amigo e uma pessoa que prezo demais.
A Bandô ficou no jornal por dois anos. Durante o dia ela dormia no forro do prédio e à noite descia para brincar e comer. Na madrugada, quando chegavam os motoqueiros da entrega, os guardas do jornal a fechavam na minha sala, onde tinha água, leite, ração, areia sanitária e uma caminha (mas ela preferia a cadeira para dormir). Bem pela manhã, antes dos funcionários chegarem, ela voltava para o telhado. Só descia um pouco quando ouvia o barulho do meu carro. Aí ela ia me cumprimentar.
(A foto noturna em que ela aparece no telhado, com lua e planeta, foi tirada em Pederneiras.)
Claro que há histórias hilárias, como quando ela resolveu passear pelo jornal pouco antes da visita de um político (também ele resolveu ir lá à noite) importante. E olha, pegar gato quando ele não quer ser pego, é uma missão impossível... Imagine o baile que foi... Mas todos se salvaram.
Geralmente, à noite, ela fazia companhia pra turma que ficava pro fechamento, dava e recebia carinho: passeava pela redação, pela minha sala e pela recepção, onde ficavam os guardas. Um pouquinho de atenção para cada um. Quando cansava, ia deitar sobre o monitor do meu computador e me fazia companhia.
No final do expediente lá ia eu brincar um pouco, jogar bolinhas de papel, essas coisas... Às vezes ficava mais de hora brincando com ela.
E assim foi, até que, alguns meses depois, resolvemos criar o caderno infantil. Não queríamos apenas dar-lhe o nome do jornal no diminutivo, como geralmente ocorre. Daí surgiu a ideia de criar a Turma da Bandô. Várias pessoas participaram e, enfim, foi publicado o caderno infantil Tribuninha e a Turma da Bandô. No último domingo vi que o caderno chegou à sua edição de número 300. Parabéns ao pessoal.
Quando saí da Tribuna, em fevereiro de 2004, a levei comigo para a casa da minha mãe. Hoje ela continua em Pederneiras, mimada e folgada, dona do pedaço, e eu estou um pouco mais longe, em Araçatuba. Mas a vejo a cada 15 dias...
Posto acima fotos dela hoje, bem recentes mesmo, e a personagem que lidera a Tribuninha.
Hoje ela tem seu próprio blog e interage com a criançada. Escreve cartas e vive situações e aventuras diversas...
Nem preciso dizer que sou apaixonada pelas duas: a real e a personagem.
Dê uma olhada no blog da Turma da Bandô: http://blogtribuna.com.br/TurmadaBando/
Pelo perfil no blog, dá pra ter uma ideia de como era a Bandô que inspirou a personagem:
Quintal da Bandô
Quem é a Bandô?
Bandô é a gatinha da Tribuninha. Ela é a líder da turma que é formada por mais cinco bichos espertos e divertidos: Tato (sapo), Tomi (tartaruga), Aurélio (coruja), Clara (cachorra) e Zé (guaxinim).
Bandô é alegre e cheia de energia. Adora brincar, cantar, ler, assistir a filmes e ajudar os amigos. Essa gatinha tem sempre uma boa ideia para reunir a galera e fazer a maior festa.